They’re not people, they’re Daily Mail readers

08/04/2013 § Deixe um comentário

Depois de um dificílimo Kill List, Ben Wheatley regressa com a melhor comédia de humor negro dos últimos anos. Um excelente quadro daquilo que é o “ser britânico”, levando a extremos pequenos ódios que só quem os nutre consegue compreender. Obrigatório.

Tarkovsky faria hoje 81 anos

04/04/2013 § Deixe um comentário

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Melhor do que nunca.

Linklater e Bernie

31/03/2013 § Deixe um comentário

Linklater raramente desilude. Bernie não é um desses casos. Hábil entrelaçar de documentário com ficção e algum salpicar de coisas como Fargo que nos fazem questionar se não estaremos a ser enganados, permite a Jack Black um dos papéis mais capazes da sua carreira até agora. A ver, tendo como pano de fundo todo o passado do realizador em questão.

My country is very poetic

11/03/2013 § Deixe um comentário

Well I can tell you a sad and funny story. The guy who came with me to film school is now a teacher. He stayed on. He’s been a teacher for twenty years. He is the best teacher in that school today. Everybody knows it. We were the ones who were closest to António . A year ago, he asked me to dinner. He told me that he screened Pierrot le fou. Twenty minutes after it started, the students asked for it to be stopped because it was going nowhere. Pierrot le fou? There’s guns and girls and colours. I mean really? If I was there, I would kick their fucking brains in. I would break their arms. I would break their necks. Really. – Pedro Costa

Oscar

24/02/2013 § Deixe um comentário

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Mais um ano, mais uma cerimónia masturbatória da indústria cinematográfica norte-americana. Aguardo com alguma ansiedade o desastre chamado Seth MacFarlane. Fora isso, não há nada que me entusiasme, como normal. Argo vai ganhar o melhor filme, sem que o mereça, mas claro que aqui o que importa são os votos, portanto, se recebe os votos suficientes então merece-o, certo? Não merece em termos artísticos porque é um filme de domingo à tarde que nem sequer entretém grande coisa. A histórica é batida, o truque de “Hollywood comes to the rescue” é chato e contribui de forma mais sub-reptícia do que Zero Dark Thirty para a lavagem de cara da CIA por esse mundo fora. Beasts, Django, Amour ou mesmo Zero Dark Thirty são melhores, a quilómetros de distância e acredito que vão ficar mais presentes na história do cinema do que Argo, que, à sua maneira, faz sentido enquanto melhor filme. É um fruto da indústria, pela indústria, para a indústria.

Melhor ator é certo em Daniel Day-Lewis. Fora a surpresa para Cooper. Jennifer Lawrence FTW como melhor atriz. Seymour Hoffman é desejo meu para melhor ator secundário, ainda que ache que a estatueta vai acabar nas mãos de Tommy Lee Jones. Atriz secundária meto o dinheiro em Sally Field.

O Oscar que mais me interessa e que mais me irá desapontar vai ser o de melhor fotografia. Roger Deakins nunca venceu. Nunca. 10 vezes nomeado, desde Shawshank Redemption. Zero vitórias. Melhor documentário também me chama bastante a atenção. Coloco as fichas em How to Survive a Plague.

Obviamente, este texto estará obsoleto amanhã e corre o risco de estar completamente errado. Ossos do ofício.

La libertad

16/02/2013 § Deixe um comentário

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À medida que via alguns dos filmes candidatos aos Oscares deste ano, apercebi-me de uma linha condutora que unia muitos deles, mas que até ultrapassava os nomeados. Bateu-me quando vi The Master de Paul Thomas Anderson e ouço o personagem de Philip Seymour Hoffman dizer a seguinte frase: “Se descobrires uma forma de viver sem servir um mestre, qualquer mestre, então avisa o resto de nós, avisas? Pois serias a primeira pessoa na história do mundo.” O filme em si é – claro está – um ensaio sobre liberdade. Só chega a mostrá-lo para os mais incautos nas últimas cenas, com todas as letras, mas desde o começo que o argumento está lá. O mar, o azul, a liberdade do que se faz, seja sexual ou violento. O riso constante do personagem de Joaquin Phoenix, o cinismo digno de Diógenes também está lá, como não podia deixar de ser, para fazer frente ao vígaro, à falcatrua da fachada do Mestre. Hegel, Hegel, Hegel, todos os dias Hegel.

Só ao ver o mais recente de Paul Thomas Anderson me ocorreu este pensamento, mas poucas dúvidas havia de que assim era. Bastava juntar as peças do puzzle. Django de Tarantino não precisa de comentários sobre a questão da liberdade (precisa, mas vamos fazer de conta). Argo idem. Amour à sua maneira. Porém, foi No de Pablo Larrain que me chamou a atenção para a temática. Larrain consegue atingir o impensável e ao desfazer-se da qualidade de imagem para igualar o tipo de filme de 1988, mistura documentário com obra original de forma exemplar. O filme sobre a reviravolta do Chile e a derrota de Pinochet sob pressão internacional é belíssimo. E, lá está, lida com a temática da liberdade, naquela perspetiva sofisticada de uma ditadura flexível, que tem os tentáculos lançados, mas que só os aperta quando em extremo. Apresenta-nos o que seres livres são capazes de fazer e da criatividade que é possível realizar. Mostra a campanha do “Não” num referendo pela continuidade de Pinochet contra o inevitável “Sim”. Como a televisão era – e é – fundamental e como só a união pode fazer a força.

Ainda na categoria Estrangeiros, o dinamarquês A Royal Affair não é apenas um romance de época. Novamente, a debatida questão da liberdade. O conflito entre o passado e o futuro que se faz sentir no presente que resiste à mudança. O revolucionário contra os reacionários. O filme trata de um médico do então rei dinamarquês que se transforma no decisor real dada a sua influência sobre o monarca e as suas ideias iluministas, para grande desagrado da restante Corte. O destaque vai para o romance que desenvolve com a rainha e o fim que lhes chega de forma relativamente rápida e aguardada.

Há aqui uma narrativa do que é livre. Não a consigo descortinar ao certo. Estamos a questionar a liberdade porque queremos saber o que ela é ou porque já só a conseguimos ver num ecrã? Somos mais livres do outro lado do espelho do que neste mundo. A austeridade dos sonhos e da felicidade.

Erros meus, má fortuna, Amour ardente

12/02/2013 § Deixe um comentário

Cheguei a ler no Facebook que, para ver Amour, era preciso preparar um dia inteiro de coisas boas e prazerosas antes de mergulhar naquilo que se sabe que vai ser amargo, duro e doloroso. A reputação de Michael Haneke chegou a isto. Fazedor de filmes difíceis de aceitar, o austríaco transformou-se no melhor contador de histórias da realidade mais seca e existencialista. Haneke transpõe para o cinema aquilo que outros projetaram em livros e peças antes: o absurdo da vida no seu mais negro. Ver um filme de Haneke é sentir um soco no estômago. Lugar-comum, mas adequado. É sair do sofá ou da sala de cinema com uma sensação de vazio.

Em Amour, encaramos o mais puro dos sentimentos num casal idoso, remetendo para aquilo que será a nossa primeira experiência de lidar com morte: os avós. Pelo menos eu pensei nos meus avós. Pessoas mais velhas já terão a ligação aos pais. Esse paralelo com a nossa vida é o melhor artifício do cinema e o seu maior feito, ludibriar-nos e trazer até nós pensamentos e sentimentos que nem sempre queremos ver ou ouvir através de formas que nos parecem distantes.

Amour é amor e o seu contraste interno, o desespero. Desespero de não poder fazer nada por quem se ama, desespero de se ver uma memória que é, à sua maneira, a nossa própria desvanecer e ser substituída por uma temporada de dificuldades sem fim e sem regresso. Haneke fá-lo na perfeição. Joga com a definição do passado, tudo o que ficou para trás e – subitamente – larga tudo para traçar o futuro. Se é que há futuro. Se é que ter futuro sozinho é ter futuro de todo.

As interpretações são, como já devem ter ouvido dizer, fenomenais. E até lá há uma portuguesa na figura de Rita Blanco. Haneke mais manso após White Ribbon e essencial, como sempre.

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